Freelancer, verdades e mentiras

Se você é freelancer, provavelmente já passou por algumas crises; profissionais, financeiras ou outras. Dúvidas e medos surgem. Nesse post vou cobrir algumas verdades e mentiras que acho mais importantes.

1. Freelancer é o cara que não consegue emprego

No Brasil, ouso dizer, acredita-se que o melhor é estar trabalhando com carteira assinada. O sonho de muitos é passar em concurso e se tornar funcionário público. Para a maioria, o freelancer é o cara que ficou desempregado, não consegue se recolocar no mercado de trabalho e precisa fazer bicos para sobreviver.

Muitos freelancers podem ter começado assim (esse foi o meu caso), mas ao longo do caminho eu tive a sorte de aprender que na verdade, como freelancer, tinha a oportunidade de aprender a administrar meu próprio negócio.

Há cerca de 8 anos não trabalho com carteira assinada. Nesse período jamais passei fome ou fiquei desabrigado. Alguns momentos foram apertados, confesso, mas passaram. Hoje em dia vejo que ainda tenho muito a crescer profissionalmente. Não sou um desempregado. Sou um empreendedor.

2. Freelancer nunca sabe quando vai ter dinheiro

Ser freelancer é viver em um micro-cosmo empresarial. É preciso prospectar, administrar, produzir, divulgar, contabilizar e fazer o cafezinho sozinho! Parece assustador, mas não é.

Vamos analisar:

  • Uma empresa não sabe quanto vai ganhar a cada mês, mas tem metas.
  • Uma emprese vende por que divulga sua marca, seus produtos e/ou serviços.
  • Uma empresa precisa ter um fundo de caixa para cobrir suas despesas regulares e eventuais.

Pare, pensa e reflita.

Ter metas, divulgar seu trabalho e cuidar de suas finanças é algo que qualquer um pode fazer sozinho.

Quanto é necessário para se manter em pé e trabalhando a cada mês e ter dinheiro para outras necessidades: aprendizado, viagens, aquisição de bens materiais? Respondendo a essa pergunta, rapidamente você descobre qual pode ser sua meta mensal. Tenha um valor plausível que cubra suas despesas, o quanto você quer investir em você e no seu trabalho.

Já tem seu site? Já anunciou em revistas especializadas na sua área? Já organizou ou participou de algum evento que pode ajudar você a divulgar seu nome profissionalmente? Se respondeu SIM a pelo menos uma dessas perguntas, você já está se divulgando. Se respondeu NÃO a todas, comece agora!

Você poupa parte dos seus ganhos a cada mês, mesmo quando o dinheiro não está sobrando? Uma sugestão: tenha uma poupança programada, que saca da sua conta e guarda uma quantia previamente especificada. Se você não tem conta bancária, sugiro que abra uma. Visite vários bancos e veja quais oferecem mais benefícios pelas menores taxas. Formando essa reserva em algum tempo os finais de mês parecerão menos assustadores e você vai saber sim que vai ter dinheiro.

3. Freelancers não tem os mesmos benefícios de um assalariado

Quem tem um emprego regular com carteira assinada tem alguns benefícios básicos (FGTS, 13º, vale-transporte por exemplo) e outros que dependem da empresa contratante.

Isso não é de graça. E quem paga é o próprio empregado, com parte do seu salário. Você já deve ter ouvido falar que um funcionário custa duas vezes o valar do seu salário para a empresa.

Simplificando, se você tem um salário de R$1.000,00 poderia estar embolsando R$ 2.000,00, se não fossem os benefícios e impostos.

Como freelancer é necessário se planejar:

  • FGTS – reserve um percentual dos seus ganhos e coloque em uma poupança ou faça um investimento. Eu adquiri um título de capitalização para mim. Ao final de 48 meses posso retirar a quantia guardada ou reinvestir na mesma opção ou em outra.
  • 13º Salário – Descubra quanto ganhou no ano anterior. Faça a média mensal, divida o resultado por 12 e separe mensalmente essa quantia, que ao final do ano comporá seu 13º.  Guarde em um investimento de curto prazo ou abra uma poupança.
  • Vales-alimentação, refeição e combustível – Anote suas despesas de refeição e supermercado por 6 meses e faça uma média. Se for possível, abra uma conta no banco e coloque esse valor lá. Com um cartão de débito use a quantia depositada somente para essas despesas. Se não puder abrir uma conta pra isso, separe o dinheiro a cada semana para essas finalidades. É possível comprar um vale-transporte com determinada quantia nas grandes cidades. Aqui no Rio de Janeiro também foi instituido o Bilhete Único, uma boa idéia se você utiliza meios de transporte diferentes.
  • Plano de Saúde – Estar bem e com saúde é importante para o freelancer, já que sua renda surge do seu próprio trabalho. Não dá pra trabalhar bem quando se está doente, concordam? Analise o que as empresas oferecem e adquiram o melhor que seu dinheiro pode pagar. Lembre-se: Saúde é o seu maior bem!
  • Contabilidade – Anote seus ganhos e despesas da forma que for mais simples para você. Eu utilizo uma planilha do Excel. Essa informação é uma mão na roda para traçar metas e fazer o imposto de renda.
  • INSS – procure um posto do INSS, se informe sobre o cadastro de autônomos e sua situação junto a Previdência. Se tudo estiver certo, comece a pagar seu carnê regularmente. Se sua situação permitir, considere ter também uma previdência privada.

Essas dicas servem para lembrar que, se você ganha o suficiente para se sustentar, sair com os amigos, se divertir um pouco, você não está sobrevivendo, mas vivendo! Como freelancer.

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6 comentários em “Freelancer, verdades e mentiras

  • 24/02/2017 em 08:35
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    Nossa. Seu texto foi super realista, sem vieses ou heurísticas. Foi salvar nos favs, mt esclarecedor para mim.

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    • 25/02/2017 em 14:37
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      Obrigado pelos seus comentários, Thiago. Fico feliz em saber que contribuiu de alguma forma para sua caminhada. Abs!

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  • 17/03/2015 em 21:53
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    Conheço o Helvécio e é um artigo verdadeiro, o problema é que não gostamos de organização e controle. èr mais trabalhoso, porém, satisfatório.

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  • 10/01/2012 em 13:22
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    Gostaria de saber se tem algum problema eu atuar como freelancer fora do horario da minha empresa sendo que é o mesmo trabalho que forneço lá . Sou design e faço bicos por fora para poder somar com minha renda certinha… sabe me dizer?

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    • 10/01/2012 em 15:02
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      Que eu saiba, não. A maioria dos designers trabalha como freela. Não existe razão legal que impeça alguém de fazer freela quando está empregado. Problema teria se você estiver atendendo os clientes da sua empresa em outros trabalhos. Aí entra uma questão de ética profissional.

      Resposta

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